
Ansiedade: Sintomas e Tratamento
A ansiedade é uma experiência comum e fundamentalmente humana. No entanto, o que dispara esse afeto, a sua intensidade e a forma como ela se manifesta são sempre experiências únicas e singulares para cada sujeito. Em psicanálise, falamos que o objeto em questão na ansiedade difere para cada pessoa que sofre dos seus males. Veja o que isso quer dizer.

Como a psicanálise interpreta a ansiedade?
Muitas vezes, a ansiedade chega até nós pelas manifestações no corpo: taquicardia, sudorese, aperto no peito, falta de ar e insônia. Nos pensamentos, ela aparece como uma urgência constante, uma irritabilidade sem motivo aparente e um ciclo de ideias intrusivas. É comum que manuais diagnósticos (como o DSM e o CID) classifiquem a ansiedade apenas como um instinto de sobrevivência, um "medo sem que o perigo real esteja presente".
Porém, em sentido psicanalítico, o convite é para dar um passo além: a ansiedade não é apenas uma pane no sistema do corpo ou um modus operandi de pensamento; ela é um sinal de que algo insiste, se repete, um sintoma que precisa ser escutado. Nesse sentido, o trabalho analítico está em acompanhar os processos de formação do sintoma ansioso para conceber um saber-fazer.
A ansiedade na clínica
Na clínica, percebe-se que a ansiedade não é sem objeto. Ou seja, mesmo que no momento do sufocamento seja difícil nomear o que está acontecendo, a ansiedade possui uma causa íntima ligada à nossa história, aos nossos desejos e às exigências do mundo ao nosso redor.
Em vez de ser um "problema em si", um erro a ser silenciado a qualquer custo, a ansiedade é um aviso de que estamos vivendo um impasse. Ela surge na iminência de uma perda ou sob o peso do excesso. Sofremos diante das expectativas alheias, das leis internas que criamos para nós mesmos e daquilo que julgamos ser essencial para a nossa sobrevivência emocional.
Em termos psicanalíticos, sofremos diante das amarras que fazemos com o Outro. A ansiedade eclode justamente quando estamos frente a frente com algo que não conseguimos simbolizar, algo que escapa às palavras e, por isso, transborda no corpo. É o Outro que nos dá a forma e o contorno do desejo, que nos permite organizar uma lei interna e um julgamento moral acerca das questões que para nós são essenciais.
Como tratar a ansiedade? A palavra como contorno
Se a ansiedade revela uma dificuldade de simbolizar um mal-estar e um impasse com o próprio desejo, o tratamento não deve se resumir a tentar calar esse sintoma com respostas prontas ou técnicas genéricas de controle.
Pensar o tratamento da ansiedade pela psicanálise é utilizar o sintoma como via de acesso ao inconsciente. No espaço da análise, sustentamos um lugar seguro para que o paciente possa, finalmente, falar. A ansiedade se transforma à medida que ganha lugar na palavra. O que antes era um mal-estar difuso, uma angústia sem nome, começa a adquirir contornos e a ser situado na história da pessoa.
O trabalho analítico permite que as repetições e os padrões de comportamento sejam postos na mesa. Ao investigar a posição que ocupamos diante de nossas escolhas e das exigências que carregamos, a ansiedade deixa de ser um monstro incontrolável e passa a operar como uma bússola. É através da escuta atenta que o sofrimento ganha outra dimensão, mais implicada e justa com o próprio desejo.
João Pedro Vilar Nowak de Lima
Ansiedade, Sintoma, Sofrimento
25 de maio de 2023 às 06:30:00

Formação e Experiência Clínica
Anos de Experiência
11
1111
Atendimentos Clínicos Realizados
11
Pessoas Atendidas
-
Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
-
Participação em Palestras e Congressos
-
Percurso de formação pela
Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)
-
Constante Implicação Clínica
-
Escuta Ética e Confidencial
-
Docência na Graduação e Pós-Graduação
Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2
Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

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Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.
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Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida.
Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos.
Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.
Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados.
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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista
