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Psicanálise e Pornografia

Estamos cada vez mais segregados, capitalistas, sozinhos com nossos bens de consumo em um mundo digitalizado que dispensa a presença do corpo humano em qualquer oportunidade. Nesse imperativo social, a pornografia se revela como uma solução para o encontro sexual e sua invenção enquanto produto se torna cada vez mais considerável e profunda na relação com a sexualidade. A psicanálise, pela sua prática do encontro com o sexual e a palavra, tem reflexões oportunas para nos orientar sobre isso, é o que vou expor aqui, inspirado no livro "Psicanálise e Pornografia", do Éric Bidaud.

O que está em questão na pornografia?

Considerar o pornô como expressão e exploração das fantasias com a finalidade de produzir um encontro entre entre a expectativa de um sujeito e um objeto, um encontro que decidirá sua excitação e seu gozo, um encontro sexual, é, com toda certeza, algo a ser problematizado.

Com Lacan sabemos que a fantasia não é algo simples, sua montagem é literalmente o que permite o encontro com o desejo, uma ornamentação que se faz na disjunção entre o sujeito castrado pela linguagem e o objeto êxtimo. Ou seja, a fantasia é um cenário imaginário onde estamos presentes e figuramos, de forma mais ou menos distorcida, a realização de um desejo que, em última instância, é inconsciente. 

Porém, quando se trata do pornô nós não apenas encontramos a fantasia, mas nós a redescobrimos através de um vínculo com as imagens, que revelam o material inconsciente de cada pessoa, referidos à vida libidinal infantil que foi retraduzida em fantasias. 

Com esse breve material, podemos verificar que na cena pornô a ser consumida há sempre um sujeito, que pode ser o do inconsciente ou não, mas que está ali para gozar, fantasiar, velar e espiar. A fantasia aqui tem função de acesso à realidade, pois permite que fiquemos de frente para o real a partir de uma construção da realidade psíquica que nos representa. 

Com esse arcabouço é que vamos construindo nossa cultura íntima,  que acontece em ações de transgressão, na correnteza dos devaneios de cada um. O adulto, ao contrário da criança, tem vergonha de suas fantasias, Freud no texto "O Escritor e a Fantasia", orientava que o adulto "prefere confessar seus erros a compartilhar suas fantasias". Então, de certa forma, o criador das fantasias, um produtor desperto que a oferece a todos, é aquele que carrega o fardo da vergonha dos outros

Freud continua dizendo que a obra literária contribui ao criador da fantasia pois o permite a desfrutar sem escrúpulos ou vergonha. A representação da sexualidade no pornô participa dessa mesma lógica, oferecendo uma série de produções que se sobrepõe ao devaneio "envegonhado" do espectador.


A saída pelo obsceno

No espaço do olhar, o obsceno cumpre a função de distanciar o olhar do outro e de seu confinamento. Ou seja, a demonstração do obsceno visa fixar um olhar que é um olhar sem rosto, um olhar errante. A cena obscena vê e faz ver, diz e faz dizer mas, para além disso, ela enseja a provocação, ela quer rir e também fazer rir, ela se ocupa do desdobramento dessas questões, por isso o obsceno é uma forma de vínculo social, uma categoria da qual se agrupam significantes. O obsceno é aquilo que permite a regulação da relação com o outro a partir do cômico e do horror.

Na atualidade o que temos na apresentação dos sintomas psíquicos são resultantes da ausência ou da inadequação da satisfação sexual, principalmente nas neuroses. Então, o sujeito da atualidade luta contra sua falta de satisfação com o objeto, com o efeito de uma "falta de gozo" do seu objeto, isso no pornô ocorre porque a representação do ato sexual comparece de forma bruta em um desfile enfadonho, repetitivo, em uma reprodução massante. A função do obsceno aqui é um modo de estar diante do Outro que apresenta esse objeto de representação do ato sexual, isso permite perceber o obsceno como uma forma de lutar contra a face do Outro, o seu fascínio.

Veja bem: a pornografia não é algo atual. É uma coisa velha. Porém, o que temos atualmente é o pornô. A "grafia", ou seja, a escrita, desapareceu. Subsiste o pornô dessignificado, um desfile de imagens em forma de negação da escrita. No pornô não temos obsecinidade, na verdade, há o imperativo do gozo em forma de produto.

A forma de apresentação dos corpos no pornô é estilizada, ocorre pela produção dos corpos, pela sua limpeza através da depilação, pela intensidade da luz, pela posição da câmera, são elementos feitos para produção e performance. Algo para ser consumido em excesso

O obsceno, nessa perspectiva, é aquilo que não se presentifica no pornô, mas está retratado como pornografia em outros espaços, em que produz dialetizações artísticas, tal como acontece em filme, por exemplo, Ninfomaníaca, do Lars Von Trier ou até em Salò: 120 dias de sodoma,  do Pier Paolo Pasolini, ou, de forma tão próxima quanto do horror, em Irreversível, do Gaspar Noé. Ali temos algumas colocações do obsceno em sua forma de pornografia: uma produção que causa escrita.


O funcionamento do pornô

Sabemos que a cena pornô não opera um enredo, uma história, uma narrativa. Na verdade, conforme o consumo foi se intensificando, o aspecto literário foi cada vez mais negligenciado e, na atualidade, fica evidente que o que se busca no pornô é o gozo autoerótico e não uma via de troca e dialetização dos significantes. Ao longo do desenvolvimento da cena pornográfica o enredo até tentou se enganchar, utilizando, inclusive, narrativas pró-feministas, uma tentativa de subversão do pornô convencional. Sabemos que nisso há mais uma apropriação do capital pela cena pornô em forma de discurso polítco do que propriamente algo transgressivo. A transgressão ocorre do obsceno pela pornografia, e não por uma cosmética derivada da cena pornô.

Mas, então, o que faz o pornô funcionar e ser tão difundido? A cena de sedução posta na cena pornô opera a partir de um deslumbramento, um efeito de verdade, algo muito próximo do que acontece no amor à primeira vista, na paixão. Trata-se de um inesperado que manifesta um estranho familiar em forma de objeto. 

O pornô, ao favorecer o aparecimento de objetos com valor estético e erótico, focaliza o olhar e produz um efeito de apreensão pelo objeto, o de restituir relevo à realidade, fazer manifestar por essa apreensão um interesse próximo ao "nunca visto antes" e que reaviva as possibilidades de seu investimento. Então, o funcionamento do encontro com a imagem do pornô pode ser entendido como uma experiência estética/erótica de apreensão pelo objeto.

É oportuno lembrar: "Toda a história do olhar é política", é o que escreve a filósofa Marie-José Mondzain, reconhecida por ser uma estudiosa da palavra e da imagem. 

Clínica, Sexualidade

24 de maio de 2026 às 16:00:00

João Pedro Vilar Nowak de Lima

João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

Formação e Experiência Clínica

Anos de Experiência

11

1111

Atendimentos Clínicos Realizados

11

Pessoas Atendidas

  • Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

  • Participação em Palestras e Congressos

  • Percurso de formação pela
    Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)

  • Constante Implicação Clínica

  • Escuta Ética e Confidencial

  • Docência na Graduação e Pós-Graduação

Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2

Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

João Pedro Viar Nowak de Lima

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

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O investimento em uma sessão pode variar.

Entendo que cada pessoa tem circunstâncias financeiras únicas e, portanto, estou comprometido em ajustar os valores de forma transparente e aberta durante a consulta inicial, que tem custo a ser combinado no primeiro contato.

Em relação aos planos de saúde, não estou vinculado a nenhum.

É importante notar que cada plano tem suas regras em relação ao atendimento psicológico. Recomendo que você entre em contato com seu plano de saúde para entender melhor sua cobertura, pois ela pode custear atendimentos particulares.

De todo modo, estou disposto a fornecer qualquer documentação necessária para facilitar este processo, incluindo o recibo dos valores investido.

A frequência e o tempo das sessões podem variar.

O processo de um trabalho clínico requer um compromisso de tempo e esforço que perdura um tempo significativo. Durante o tratamento é comum que a frequência das sessões sejam mais próximas umas das outras, momentos que temos várias idas durante a semana. Também pode se desenhar a necessidade de uma frequência espaçada. Tais questões variam com o percurso do tratamento e com o estabelecimento da relação transferencial que é estruturado no "tempo lógico do inconsciente", assim como o tempo de cada atendimento.

Nesse sentido o tempo de um atendimento não tem uma duração fixa. Porém, peço para reservar em torno de 40-50 minutos, podendo durar mais ou menos, a depender da necessidade de trabalho.

Tudo que é falado na sessão permanece na sessão.

Todas as informações compartilhadas durante as sessões são mantidas em estrita confidencialidade e são protegidas por leis de privacidade. Isso inclui tanto as sessões presenciais quanto as online.

Exceções à confidencialidade incluem situações e convocações prescritas em lei. 

Existe uma política.

Entendo que imprevistos acontecem e que, às vezes, pode ser necessário cancelar ou reagendar uma sessão.

Solicito que, sempre que possível, avise com pelo menos uma semana de antecedência se precisar cancelar ou alterar a data/horário da sua sessão. Caso contrário a sessão será cobrada normalmente. Exceções são conversadas individualmente e concedidas de acordo com a necessidade — o bom senso é um guia importante aqui.


Esta política ajuda a garantir o melhor atendimento possível a todas as pessoas.

Principais Dúvidas

Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.

A psicanálise permite interrogar afetos e abrir novas possibilidades.

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Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida. 

Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos

Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.

Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

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