
Fantasia e desejo: como o Outro molda nossa identidade nas redes sociais
Nós, sujeitos do inconsciente, não construímos a identidade de forma isolada, mas consideramos o olhar, a linguagem e o desejo do Outro. A entrada das redes sociais intensifica esse funcionamento ao transformar o reconhecimento, a imagem e a validação em elementos continuamente mensuráveis. Redes sociais, desejo e identidade: entenda como o olhar do Outro influencia a forma como nos mostramos e sofremos hoje.

A imagem nunca é apenas uma imagem
As redes sociais transformaram a exposição em parte da vida cotidiana. Fotografias, opiniões, rotina, corpo, trabalho e relações passam continuamente pelo olhar do Outro. Mas talvez a questão mais importante não seja o quanto mostramos ou quem mostramos, e sim o que buscamos quando nos mostramos.
Nossa identidade nunca nasce pronta ou inteiramente autônoma. Desde cedo, nos organizamos em torno de imagens, expectativas e reconhecimentos. As redes sociais potencializam algo estrutural da constituição subjetiva e o funcionamento das imagens são transformados em curtidas, visualizações e aprovação; métricas permanentes de valor subjetivo. Essa operação aparece articulada ao estádio do espelho, ao registro imaginário e ao objeto a como causa de desejo. Nas redes sociais, a imagem deixa de ser apenas representação e passa a funcionar como dispositivo de captura libidinal. O sujeito administra sua própria apresentação como quem tenta produzir uma versão desejável de si.
Fantasia, desejo e performance
Existe uma diferença sutil e delicada entre viver e performar uma versão de si. Nas redes sociais, muitas vezes, passamos a administrar cuidadosamente nossa imagem: o que postar, como aparecer, o que esconder, o que restringir aos "melhores amigos", como parecer interessante, desejável ou bem-sucedido. Essa é a dinâmica da fantasia: um roteiro inconsciente que organiza a relação com o desejo e com o Outro. A fantasia é esse aspecto de disjunção da vida sem qual o não vivemos, sua ocorrência é o que forma a constituição subjetiva.
Velar o Real e o insuportável da vida, é nisso que a fantasia é acionada. Não existe subjetividade sem fantasia. O que chama a atenção em relação às redes sociais é a maneira com que o imperativo social, em sua forma de "capital humano" ganham robustez e importância a ponto de aproximar a lógica algoritmica à lógica humana.
Gilson Ianini, no livro Freud no Século XXI, ao comentar sobre o Infamiliar nos tempos atuais recorre à antropóloga Nastassja Martin em sua obra Escute as Feras para dizer de um encontro sem retorno, o "acontecimento do urso": uma hibridização do corpo humano. As performances nas redes sociais já estão neste campo do sem retorno em termos de impacto subjetivo e senso estético. O digital não está mais em condições de estar "fora" da vida. É interessante notar e pensar no conteúdo em nos colocamos indeferentes, em nos excluimos ou nos colocamos como exclusivos, ou que simplesmente está em jogo no exercício da rede social. Nisso temos a certeza da presença do olhar do Outro em imperativo, em persistência.
A identidade e a identificação
Há uma exaustão produzida pela tentativa contínua de sustentar uma imagem idealizada de si. Quanto mais perfeita a imagem precisa parecer, mais distante ficamos da própria experiência.
A instância da experiência, do acontecimento, é a da identificação. Já a identidade é aquilo que (supomos rsrs) ter organizado em relação à experiência e o acontecimento, ou seja, o que realmente contamos e mostramos ao Outro. Nas performances das redes sociais essas instâncias estão envolvidas e embaralhadas pelo imperativo social, pelos algorítimos e seu "capital humano" que, via de regra, colocam a identidade como produto a ser medido e valorado. São processos complexos, que não cabem em um texto, nem em um vídeo, apesar do meu esforço em transpor algumas colocações aqui.
Inconsciente, Fantasia, Excesso, Digital
16 de outubro de 2025 às 16:00:00
João Pedro Vilar Nowak de Lima
Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

CONHEÇA O MEU TRABALHO
João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista
Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.
A psicanálise permite interrogar afetos e abrir novas possibilidades.

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Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida.
Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos.
Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.
Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados.
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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

Formação e Experiência Clínica
Anos de Experiência
11
1111
Atendimentos Clínicos Realizados
11
Pessoas Atendidas
-
Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
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Participação em Palestras e Congressos
-
Percurso de formação pela
Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)
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Constante Implicação Clínica
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Escuta Ética e Confidencial
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Docência na Graduação e Pós-Graduação
Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2
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