
Saúde Mental do Homem
A saúde mental dos homens têm ganhado protagonismo e invenções nos últimos anos. Em meu artigo "Quando dois homens se encontram: dilemas e estranhamentos com as masculinidades em um trabalho clínico" faço reflexões sobre essa questão. Esse texto expõe um pouco dessas reflexões...

Contemporâneo na saúde mental masculina
A saúde mental dos homens ainda é atravessada por um paradoxo: ao mesmo tempo em que temos posições de privilégio em muitos contextos sociais, encontramos grande dificuldades em reconhecer e sustentar o próprio sofrimento. Ou seja, o privilégio social masculino nunca foi sinônimo de garantias de uma gramática rica e eficiente em relação aos próprios afetos. Na verdade, pesquisas como da socióloga Raewyn Connell, em seu conceito de masculinidade hegemônica, ou do antropólogo Daniel Welzer-Lang, em sua metáfora da "casa dos homens", demonstram como a gramática masculina, por vezes, está enrijecida em seu próprio coletivo, dirimindo questões amplas da vida ao 'modo do homem resolver'.
Na clínica isso precipita na forma indireta da busca por ajuda: muitos homens chegam por conflitos conjugais, crises profissionais ou sensação de perda de controle, raramente nomeando e se posicionando de início sobre aquilo que os afeta. Há um esforço em manter a imagem de autonomia e domínio, mesmo quando algo já não funciona como antes. Ou seja, é comum que os homens venham e justifiquem sua vinda por terceiros...
Os ideais masculinos na saúde mental dos homens
Os ideais masculinos e as dificuldades que os homens têm sobre eles não é algo individual, apesar da 'solução sintomática' ser sempre algo singular. Alguns passos antes da solução de cada um, devemos observar algumas caracterísiticas sociais que nos permitem interpretar e manejar os sintomas masculinos, questões que estão no campo significante.
No campo social temos valores culturais e históricos que ligam os homens e as masculinidades a imperativos que pregam o desempenho, o controle emocional e a autossuficiência. Quando esses ideais vacilam — seja por fracasso, rejeição ou mudanças nas relações — surgem angústia, irritação, retraimento ou mesmo condutas de risco, como agressividade, excessos (de velocidade, álcool, substâncias psicoativas, maconha, cocaína, etc). A solução comum no campo masculino diante do sofrimento é trocar a fala pelo ato, ou seja, silenciar ou deslocar o sofrimento para o corpo e para ação. O que deveria ser posto em jogo para resolução vira martírio. Isso contribui para o afastamento do bem-estar emocial e das formas de cuidado, além de ratificar práticas que levam a manutenção de um mal-estar que se repete.
No campo social esse funcionamento precipita em cursos 'masculinistas', que visam resgatar um suposto discurso em que homens teriam controles e responsabilidades que dialogam com a lógica de troca da fala pelo ato. Então, vejam, essa forma de solução, além de ser singular, é também social. Daí a importância de saber por onde conduzir essas formas de sofrimento.
Psicanálise e masculinidades
As ferramentas que a psicanálise proporcionam permitem perceber as soluções coletivas que oferecem modelos de ser homem, como os "cursos para ser homem" ou que "resgatam a masculinidade", vão em direção a uma solução coletiva, massiva, em relação ao declínio de discurso hegemônico. Trata-se mais de um projeto para angariar sujeitos reprimidos e lucrar com isso, não para ofertar de fato uma forma de bem-estar emocional.
A escuta analítica no contexto dos homens e das masculinidades não busca corrigir comportamentos nem oferecer modelos de “como ser homem”, trata-se mais de algo inscrito no campo da invenção e da singularidade. Isso porque em psicanálise trabalhamos as inciências dos discursos sociais em forma de fantasia na vida humana, percebemos esses discursos em forma de significante e, com isso, desbastamos suas configurações até reduzir ao que realmente é único na vida de um homem. Com isso se inventa algo...
O trabalho começa ao levar a sério aquilo que o sujeito diz, mesmo quando aparece de forma fragmentada ou defensiva. Ao sustentar esse espaço, o analista permite que algo do sofrimento possa ganhar palavra, sem exigência de desempenho ou julgamento. Isso já produz um deslocamento importante.
Com o tempo, o homem pode começar a se implicar na própria história, reconhecendo como certos ideais orientaram suas escolhas e impasses. A análise abre a possibilidade de construir outra relação com o desejo, menos presa à exigência de corresponder a um modelo. Não se trata de abandonar referências, mas de não ficar submetido a elas.
Saúde Mental, Masculinidade, Homens, Sofrimento
20 de abril de 2022 às 09:00:00
João Pedro Vilar Nowak de Lima

Formação e Experiência Clínica
Anos de Experiência
11
1111
Atendimentos Clínicos Realizados
11
Pessoas Atendidas
-
Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
-
Participação em Palestras e Congressos
-
Percurso de formação pela
Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)
-
Constante Implicação Clínica
-
Escuta Ética e Confidencial
-
Docência na Graduação e Pós-Graduação
Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2
Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

CONHEÇA O MEU TRABALHO
João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista
Veja Avaliações



O investimento em uma sessão pode variar.
Entendo que cada pessoa tem circunstâncias financeiras únicas e, portanto, estou comprometido em ajustar os valores de forma transparente e aberta durante a consulta inicial, que tem custo a ser combinado no primeiro contato.
Em relação aos planos de saúde, não estou vinculado a nenhum.
É importante notar que cada plano tem suas regras em relação ao atendimento psicológico. Recomendo que você entre em contato com seu plano de saúde para entender melhor sua cobertura, pois ela pode custear atendimentos particulares.
De todo modo, estou disposto a fornecer qualquer documentação necessária para facilitar este processo, incluindo o recibo dos valores investido.
A frequência e o tempo das sessões podem variar.
O processo de um trabalho clínico requer um compromisso de tempo e esforço que perdura um tempo significativo. Durante o tratamento é comum que a frequência das sessões sejam mais próximas umas das outras, momentos que temos várias idas durante a semana. Também pode se desenhar a necessidade de uma frequência espaçada. Tais questões variam com o percurso do tratamento e com o estabelecimento da relação transferencial que é estruturado no "tempo lógico do inconsciente", assim como o tempo de cada atendimento.
Nesse sentido o tempo de um atendimento não tem uma duração fixa. Porém, peço para reservar em torno de 40-50 minutos, podendo durar mais ou menos, a depender da necessidade de trabalho.
Tudo que é falado na sessão permanece na sessão.
Todas as informações compartilhadas durante as sessões são mantidas em estrita confidencialidade e são protegidas por leis de privacidade. Isso inclui tanto as sessões presenciais quanto as online.
Exceções à confidencialidade incluem situações e convocações prescritas em lei.
Existe uma política.
Entendo que imprevistos acontecem e que, às vezes, pode ser necessário cancelar ou reagendar uma sessão.
Solicito que, sempre que possível, avise com pelo menos uma semana de antecedência se precisar cancelar ou alterar a data/horário da sua sessão. Caso contrário a sessão será cobrada normalmente. Exceções são conversadas individualmente e concedidas de acordo com a necessidade — o bom senso é um guia importante aqui.
Esta política ajuda a garantir o melhor atendimento possível a todas as pessoas.
Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.
A psicanálise permite interrogar afetos e abrir novas possibilidades.

CONHEÇA O MEU TRABALHO

222.jpg)
Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida.
Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos.
Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.
Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados.
.jpg)
João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista
