
Sexualidade e Psicanálise
A sexualidade é o campo da invenção humana, porque sua presença ultrapassa a palavra. A psicanálise é concebida a partir do sexual no humano, ou seja, um encontro do afeto com a linguagem, com os significantes. Diria que, em primeiro plano, trata-se de uma interpretação daquilo que produz efeito de sentido, daquilo que guia nossa performance pelo campo sexual.

Como a sexualidade se manifesta na clínica?
Nos processos clínicos, a sexualidade atravessa pontos singulares da formação da subjetividade, tais como as fantasias, as escolhas amorosas, as dificuldades de vínculo, as repetições e os impasses no desejo. Muitos pacientes chegam falando de sintomas como ansiedade, insegurança, bloqueios e, ao longo das sessões, percebe-se que há algo da posição sexual em jogo: medo de se expor, dificuldade de sustentar o desejo, vergonha do próprio corpo ou conflitos em relação à identidade e ao modo de se relacionar.
É comum que esse campo de estranhamento, marcado pela sexualidade, surja marcado por exigências externas: desempenho, comparação, idealizações. Isso pode gerar frustração, sensação de inadequação ou afastamento do próprio desejo, revelando repetições nos relacionamentos, como escolhas que levam a mesma modalidade de sofrimento.
Como escutar a sexualidade?
A melhor orientação para essa pergunta seria: como você está interpretando suas questões sexuais? Isso porque a escuta analítica funciona como um dispositivo que abre espaço para que a sexualidade possa ser dita sem julgamento ou orientação prévia.
Em vez de oferecer respostas prontas, o trabalho consiste em acompanhar o que o sujeito diz, permitindo que ele reconheça os sentidos que organizam suas escolhas e impasses. Ao falar, algo pode se deslocar: aquilo que parecia fixo começa a ganhar novas leituras. Esse é o princípio da associação livre.
Psicanálise e Sexualidade
O tempo de trabalho analítico possibilita uma relação menos rígida com o próprio desejo e, por consequência, reconhecimento dos afetos de prazer e desprazer. Aqui, expectativas externas entram em declínio e o sujeito pode encontrar formas mais singulares de se posicionar diante da causa da excitação.
Em uma análise desenhamos o mapa das manifestações sexuais, e, com o aprofundamento da relação analítica e transferencial, podemos inserir detalhes neste mapa, colocar cores, distinguir suas tonalidades e contrastes, escrever suas legendas, pensar seus vetores, suas escalas, e quais orientações e coordenadas geográficas temos disponíveis diante do extenso campo da sexualidade, que está sempre inscrito em um corpo singular, que lida com seus afetos de forma única.
Sexualidade, Psicanálise, Clínica
2 de junho de 2022 às 15:45:00
João Pedro Vilar Nowak de Lima

Formação e Experiência Clínica
Anos de Experiência
11
1111
Atendimentos Clínicos Realizados
11
Pessoas Atendidas
-
Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
-
Participação em Palestras e Congressos
-
Percurso de formação pela
Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)
-
Constante Implicação Clínica
-
Escuta Ética e Confidencial
-
Docência na Graduação e Pós-Graduação
Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2
Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista
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Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.
A psicanálise permite interrogar afetos e abrir novas possibilidades.

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Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida.
Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos.
Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.
Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados.
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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista
