
Novas Formas de Sofrimento
Na passagem dos Séculos XX e XXI temos a transformação da sociedade displinar para sociedade do desempenho. Passamos da obediência ao mandamento da integração de positividades, agora somos empresários de si mesmos. Isso altera a gramática do sofrimento. Veja minha aula sobre essa questão à luz do livro Clínica do Excesso de Domenico Cosenza:

A implicação nas novas formas de sofrimento
Aquilo que nos faz sofrer não é simplesmente o que nos acontece, mas o modo como nos implicamos nisso. A contemporaneidade, com todo o avanço do discurso científico, principalmente com a arqueologia proposta por Michel Foucault, permite perceber que o sintoma psíquico é algo pertencente à dinâmica de vida, não como um fenômeno a ser extirpado, higienizado, excluído da vida. Esse pensamento orienta a leitura sobre os denomidados "novos sintomas" — percebê-los como uma formação que carrega uma verdade singular.
Com Domenico Cosenza, retomo Freud para sustentar que o sintoma é uma solução, ainda que custosa, encontrada pelo sujeito para lidar com um conflito. O sintoma não apenas resolve algo, ele também organiza uma forma de gozo — é nisso que a passagem da sociedade disciplinar para a do desempenho consegue nos capturar. Curiosamente, não precisamos mais obedecer alguém, internalizamos regras e mandamentos justamente para atender crises sociais, essa é a ideia do empresariado de si.
A reinvenção e o capital humano
O aprimoramento de si é a nova regra nas novas formas de sofrimento, incorporamos o conceito de "capital humano", não à toa que significantes como "alterar o mindset" e "descobrir sua utilidade" colem com tanta facilidade. A vida se tranformou numa disciplina da economia pessoal. Isso tem implicação na gramática do sofrimento.
Isso, conforme nos demonstra Cosenza, prejudica nossa leitura social e um problema social passa a ganhar contorno singular, com estética e gramática moral. Não à toa o paradigma do sofrimento no Século XXI é a depressão: funcionamos nas sombras dos imperativos sociais, a liberdade maximiza a utilidade humana e a flexibilização funciona como gestão das demandas do próprio sujeito.
E a análise com isso?
O ponto que considero mais delicado no vídeo — e também mais importante — aparece quando indico que a análise não oferece respostas prontas. Em vez disso, ela cria as condições para que algo do sujeito se desloque. É preciso se disponibilizar a falar do que não se sabe. Essa inversão é fundamental, pois desloca o lugar do saber para o próprio sujeito.
Se esse tema te toca, talvez não seja por acaso. A psicanálise não trabalha com explicações universais, mas com aquilo que insiste em cada um de nós. E é justamente aí, nesse ponto onde algo não fecha, que uma análise pode começar.
Sofrimento, Neoliberalismo, Inconsciente, Excesso
14 de abril de 2026 às 16:00:00
João Pedro Vilar Nowak de Lima
Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista
Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.
A psicanálise permite interrogar afetos e abrir novas possibilidades.

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Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida.
Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos.
Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.
Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados.
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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

Formação e Experiência Clínica
Anos de Experiência
11
1111
Atendimentos Clínicos Realizados
11
Pessoas Atendidas
-
Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
-
Participação em Palestras e Congressos
-
Percurso de formação pela
Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)
-
Constante Implicação Clínica
-
Escuta Ética e Confidencial
-
Docência na Graduação e Pós-Graduação
Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2
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