top of page

Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico

O sofrimento psíquico está articulado a uma forma de vida específica: o  neoliberalismo.  Não se trata apenas de um modelo econômico, mas uma lógica que organiza como pensamos, sentimos e nos cobramos. Termos como liberdade, desempenho, disciplina e autovalorização deixam de ser escolhas e passam a funcionar como exigências silenciosas. A razão humana passa a ser a razão do mercado, essa é a ideia do "empresário de si" que traduz o neoliberalismo como gestor do sofrimento psíquico.

Do obediente ao empreendedor de si

Conceber o fenômeno do empresário de si mesmo não é algo inovador. Ao se estudar minimamente as formas de sofrimento, vemos com Michel Foucault em História da Loucura como as sociedades modernas criaram dispositivos para organizar o comportamento e a produtividade. Durante muito tempo, isso se deu por meio de instituições, regras e formas explícitas de controle. Era preciso disciplinar, corrigir, adaptar. Isso precipitou biopolíticas e biopoderes, ou seja, tecnologias do poder de si e de gestão do social, respectivamente.

Os obedientes são os representantes  de uma pedagogia da vida que revelou seus limite: além de custar caro (ter instituições voltadas à disciplina tem custos elevados) também produz resistência (um exemplo dessa representação é a crítica que está por trás da canção Another Brick in The Wall, do Pink Floyd).  A virada neoliberal desloca esse funcionamento. Em vez de impor de fora, faz com que o próprio sujeito incorpore a exigência. Isso diminui custos e aumenta a eficiência: deixamos de ser obedientes para nos tornarmos gestores de si. 

Essa inovação trouxe resultados já conhecidos: já não trabalhamos apenas para alguém ou para uma instituição, mas trabalhamos sobre nós. É preciso melhorar sempre, render mais, ser mais eficiente, mais interessante, mais desejável. A cobrança não vem de fora — ela passa a vir de dentro


A depressão como sintoma do nosso tempo

Vladimir Safatle, Christian Dunker, entre outros professores, escrevem o livro Neoliberalismo como Gestão do Sofrimento. Ali entendemos como saimos de um lugar em que o sofrimento era uma expressão de recusa e revolta contra o sistema social de normas para chegarmos ao sofrimento como métrica de desempenho e performance. 

Se antes o conflito aparecia como tensão com a norma, hoje ele tende a se transformar em esgotamento. A depressão, nesse contexto, não é apenas um problema individual, mas um sintoma social. Ela expressa o limite de um modelo que exige funcionamento contínuo. Já não há uma figura opressiva visível — nós, enquanto sujeitos, nos cobramos, nos comparamos, nos medimos o tempo todo. Enquanto tudo parece ser possível, é apenas "querer", a falha se revela uma constante.

Ao mesmo tempo, algo se empobrece na experiência. A linguagem perde espaço para as respostas rápidas, imagens, performances. Fala-se muito, mas se diz pouco. Nós passamos a repetir discursos prontos, enquanto a própria experiência fica sem lugar.



O empreendedor está anestesiado (e deprimido): o que a psicanálise pode fazer?

Enquanto temos à disposição uma pedagogia da vida em forma de liberdade econômica e flexibilização, a psicanálise vai na direção contrária. Não se trata de produzir mais ou melhor, não é uma ortopedia a essa insanidade que nos vendem em forma de produto discursivo. A aposta é escutar algo do Real diante disso que pulsa em nossa vida.

A depressão é o paradigma do neoliberalismo justamente porque substitui aquilo que antes era repressão, apresentando-se como solução (sintoma) ideal por evitar o conflito e agir em torno da potência/impotência das funções do eu. 

É importante notar algumas questões sobre o neoliberalismo: 1) a identidade, muitas vezes performada no espaço digital, serve para veicular o que fazemos com essas demandas de desempenho; 2) o nosso sintoma é travestido de solução feliz e a percepção da doença é geralmente precária; 3) há uma anestesia do alcance da linguagem, redução da enunciação ao enunciado, pois o que se performa são narrativas de produtos, rasas e céleres, tais como as do tiktok e do instagram.

Na clínica isso aparece de forma concreta: cansaço constante, sensação de insuficiência, dificuldade de sustentar escolhas, necessidade de corresponder a expectativas que nunca cessam.

O trabalho de uma análise está justamente em escutar essa forma de vida não como uma tentativa de desempenho, mas sim como um espaço de experiência. A questão não é apenas aliviar o sofrimento, mas descobrir o que ele revela na sua singularidade: é nesse ponto que lapidamos uma ética e algo pode começar a se transformar.


Neoliberalismo, Saúde Mental, Sintoma, Sofrimento

5 de março de 2024 às 16:00:00

João Pedro Vilar Nowak de Lima

João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

Formação e Experiência Clínica

Anos de Experiência

11

1111

Atendimentos Clínicos Realizados

11

Pessoas Atendidas

  • Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

  • Participação em Palestras e Congressos

  • Percurso de formação pela
    Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)

  • Constante Implicação Clínica

  • Escuta Ética e Confidencial

  • Docência na Graduação e Pós-Graduação

Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2

Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

João Pedro Nowak Psicanalista_edited_edited.jpg

CONHEÇA O MEU TRABALHO

João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

Google

Veja Avaliações

35f1952b2bc152fc27102fa1db03953f.jpg
b953c7d46a57c4cf2ccedfce5fa3714f.jpg
d5b386641448d54db428329f05c2f148.jpg

O investimento em uma sessão pode variar.

Entendo que cada pessoa tem circunstâncias financeiras únicas e, portanto, estou comprometido em ajustar os valores de forma transparente e aberta durante a consulta inicial, que tem custo a ser combinado no primeiro contato.

Em relação aos planos de saúde, não estou vinculado a nenhum.

É importante notar que cada plano tem suas regras em relação ao atendimento psicológico. Recomendo que você entre em contato com seu plano de saúde para entender melhor sua cobertura, pois ela pode custear atendimentos particulares.

De todo modo, estou disposto a fornecer qualquer documentação necessária para facilitar este processo, incluindo o recibo dos valores investido.

A frequência e o tempo das sessões podem variar.

O processo de um trabalho clínico requer um compromisso de tempo e esforço que perdura um tempo significativo. Durante o tratamento é comum que a frequência das sessões sejam mais próximas umas das outras, momentos que temos várias idas durante a semana. Também pode se desenhar a necessidade de uma frequência espaçada. Tais questões variam com o percurso do tratamento e com o estabelecimento da relação transferencial que é estruturado no "tempo lógico do inconsciente", assim como o tempo de cada atendimento.

Nesse sentido o tempo de um atendimento não tem uma duração fixa. Porém, peço para reservar em torno de 40-50 minutos, podendo durar mais ou menos, a depender da necessidade de trabalho.

Tudo que é falado na sessão permanece na sessão.

Todas as informações compartilhadas durante as sessões são mantidas em estrita confidencialidade e são protegidas por leis de privacidade. Isso inclui tanto as sessões presenciais quanto as online.

Exceções à confidencialidade incluem situações e convocações prescritas em lei. 

Existe uma política.

Entendo que imprevistos acontecem e que, às vezes, pode ser necessário cancelar ou reagendar uma sessão.

Solicito que, sempre que possível, avise com pelo menos uma semana de antecedência se precisar cancelar ou alterar a data/horário da sua sessão. Caso contrário a sessão será cobrada normalmente. Exceções são conversadas individualmente e concedidas de acordo com a necessidade — o bom senso é um guia importante aqui.


Esta política ajuda a garantir o melhor atendimento possível a todas as pessoas.

Principais Dúvidas

João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.

A psicanálise permite interrogar afetos e abrir novas possibilidades.

João Pedro Nowak Psicanalista_edited_edited.jpg

CONHEÇA O MEU TRABALHO

Foucault-Arte-Andreia-Freire-_-Foto-Michele-Bancilhon.jpg
images (2)222.jpg

Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida. 

Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos

Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.

Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados

images (4).jpg
WhatsApp
bottom of page