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Paternidade, Cuidado e Psicanálise

Tornar-se pai é uma fase delicada na vida de um homem, especialmente na contemporaneidade, em que assistimos mudanças estruturais sobre a posição social do homem, tanto na família quanto no trabalho e na sociedade. O cuidado, a virilidade e a gramática masculina afetam a invenção do ser pai. É isso que vamos explorar neste texto. 

O acontecimento da paternidade

Há acontecimentos que não se encerram no instante em que ocorrem. A chegada de uma criança é um deles. O nascimento não inaugura apenas uma nova vida, mas mobiliza histórias e afetos naqueles que a recebem, obrigando-nos a revisitar narrativas familiares, fantasias e os nossos próprios modos de amar.

Para a psicanálise, tornar-se pai não é simplesmente preencher uma vaga na ordem social, biológica ou jurídica. É, sobretudo, uma experiência que desloca certezas. Ser pai confronta o homem com aquilo que ele herdou de sua própria filiação, com aquilo que ele deseja transmitir e, de forma ainda mais contundente, com aquilo que ele não sabe transmitir.

O impasse do cuidado na paternidade

Ao investigarmos com cuidado a constituição da família no Brasil,  é comum chegamos ao tema da divisão social do trabalho. Sem adentrar em detalhes, é possível dizer que há uma longa tradição que cerca a mulher no trabalho doméstico e coloca o homem no trabalho social, na provisão. Pensadoras como Heleieth Saffioti e Marilena Chauí nos dão um bom panorâma para pensar esse contexto histórico. Recomendo a obra "O poder do Macho", em especial. 

No que concerne ao texto, temos que a divisão social do trabalho no Brasil nos dá um desenho estrito do que é ser mãe e ser pai: enquanto a mãe ocupa-se do trabalho doméstico e do cuidar, instâncias laborais invisibilizadas socialmente, o homem se ocupa das garantias materiais. É desse modo que, historicamente, a paternidade foi sustentada por uma figura patriarcal: o "pai garantidor", focado na provisão material e na autoridade moral inquestionável. 

Hoje, os discursos contemporâneos deslocam essa antiga autoridade, convocando os homens a assumirem novas formas de paternar, pautadas na presença afetiva e no cuidado cotidiano. No entanto, essa transição não elimina os impasses subjetivos do tornar-se pai; pelo contrário, ela cria novos tensionamentos. A entrada do homem no campo do cuidado com a criança evidencia uma ambivalência profunda:

  • O cuidado exige do sujeito o reconhecimento da sua própria vulnerabilidade, do desamparo e daquilo que não se pode garantir.

  • Esse lugar entra em choque com os ideais clássicos de masculinidade e de virilidade, que operam como uma defesa contra a nossa condição de falta.

Somado a isso, na contemporaneidade, as imagens viris, bem como a tradição masculina, costumam ser capturadas pelo que chamamos de racionalidade neoliberal. O que isso significa na prática? Significa que a paternidade corre o risco de ser vivida sob a lógica do desempenho, do excesso e da responsabilização individual.

O homem-pai, muitas vezes, sente que precisa "dar conta de tudo", entrando em um imperativo social. O sofrimento que emerge dessa cobrança invisível se manifesta no corpo, na angústia e nos impasses do laço familiar.

Assumir a parentalidade implica uma operação muito delicada de filiação e sustentação. Ao nomear uma criança, reconhecê-la e dar-lhe um lugar no desejo, o pai instaura uma transmissão. Contudo, é fundamental desmistificar a ideia de que essa transmissão é controlável ou auditável:

  • A transmissão familiar não é inteiramente voluntária ou realizável por meio de manuais de educação.

  • O que se transmite não é apenas um conjunto de valores positivos ou belas histórias.

  • Transmitimos, inevitavelmente, aquilo que sabemos-fazer com nossas faltas, nossos silêncios, nossos restos e com os impasses que nos atravessam.

Paternidade hoje

Diante do declínio daquele pai infalível do passado e frente à falta de garantias que atravessa a posição parental hoje, abre-se um espaço para a iniciativa e para o desejo. Não existe um modelo universal ou uma essência natural para a paternidade. Cada homem-pai é convocado a inventar o seu próprio modo de exercer essa função.

O espaço analítico se oferece justamente como esse lugar de escuta onde o sujeito pode responder, na palavra, à convocação de ser pai. Trata-se de transformar o peso da obrigação em uma possibilidade de sustentação e criação, permitindo que a paternidade seja vivida não como um imperativo de perfeição, mas como um laço vivo e pulsante com a geração que está por vir.

Parentalidade, Homens, Família, Psicanálise

11 de agosto de 2026 às 16:00:00

João Pedro Vilar Nowak de Lima

João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

Formação e Experiência Clínica

Anos de Experiência

11

1111

Atendimentos Clínicos Realizados

11

Pessoas Atendidas

  • Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

  • Participação em Palestras e Congressos

  • Percurso de formação pela
    Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)

  • Constante Implicação Clínica

  • Escuta Ética e Confidencial

  • Docência na Graduação e Pós-Graduação

Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2

Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

João Pedro Viar Nowak de Lima

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

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O investimento em uma sessão pode variar.

Entendo que cada pessoa tem circunstâncias financeiras únicas e, portanto, estou comprometido em ajustar os valores de forma transparente e aberta durante a consulta inicial, que tem custo a ser combinado no primeiro contato.

Em relação aos planos de saúde, não estou vinculado a nenhum.

É importante notar que cada plano tem suas regras em relação ao atendimento psicológico. Recomendo que você entre em contato com seu plano de saúde para entender melhor sua cobertura, pois ela pode custear atendimentos particulares.

De todo modo, estou disposto a fornecer qualquer documentação necessária para facilitar este processo, incluindo o recibo dos valores investido.

A frequência e o tempo das sessões podem variar.

O processo de um trabalho clínico requer um compromisso de tempo e esforço que perdura um tempo significativo. Durante o tratamento é comum que a frequência das sessões sejam mais próximas umas das outras, momentos que temos várias idas durante a semana. Também pode se desenhar a necessidade de uma frequência espaçada. Tais questões variam com o percurso do tratamento e com o estabelecimento da relação transferencial que é estruturado no "tempo lógico do inconsciente", assim como o tempo de cada atendimento.

Nesse sentido o tempo de um atendimento não tem uma duração fixa. Porém, peço para reservar em torno de 40-50 minutos, podendo durar mais ou menos, a depender da necessidade de trabalho.

Tudo que é falado na sessão permanece na sessão.

Todas as informações compartilhadas durante as sessões são mantidas em estrita confidencialidade e são protegidas por leis de privacidade. Isso inclui tanto as sessões presenciais quanto as online.

Exceções à confidencialidade incluem situações e convocações prescritas em lei. 

Existe uma política.

Entendo que imprevistos acontecem e que, às vezes, pode ser necessário cancelar ou reagendar uma sessão.

Solicito que, sempre que possível, avise com pelo menos uma semana de antecedência se precisar cancelar ou alterar a data/horário da sua sessão. Caso contrário a sessão será cobrada normalmente. Exceções são conversadas individualmente e concedidas de acordo com a necessidade — o bom senso é um guia importante aqui.


Esta política ajuda a garantir o melhor atendimento possível a todas as pessoas.

Principais Dúvidas

Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.

A psicanálise permite interrogar afetos e abrir novas possibilidades.

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Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida. 

Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos

Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.

Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

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