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A invenção da Família e a Psicanálise

A família é uma instituição social marcada  pela transmissão daquilo que se pode dizer e do que não se pode dizer. A psicanálise, como discurso inscrito em seu tempo, mas não inteiramente identificado a ele, permite presentificar a família, os pais e as mães, a partir do processo de filiação, o que é radicalmente diferente de uma resposta pronta sobre o que é a família e o que é ser pai e ser mãe. Isso altera a perspectiva da família imaginada para a família real. É o que vamos trabalhar no texto.

A fantasia da família e a família real

A família tornou-se uma palavra de ordem na nossa época, frequentemente acompanhada por um imperativo de competência e normatização. Defendem-se regras, normas, valores e morais, tudo em nome da família. Há um discurso social que investe na ilusão de que pais e mães podem ser despojados dos conflitos e dramas inerentes à transmissão familiar. Nessa fantasia, basta aprender o lugar social da família, a posição do pai, o papel da mãe, a serventia do marido, a utilidade da esposa, que conseguiríamos figurar o que temos de melhor, oferecer, enfim, a educação que não tivemos. Como se estivesse tudo nos livros, nos manuais, nas dicas e não nas nossas próprias referências familiares.

Na família, não há garantias. Não existe uma configuração familiar que possa garantir as condições necessárias à constituição da pessoa, do sujeito. O conceito de família carrega em si algo de uma impossibilidade estrutural, um mal-estar, que, na visão comum, deve ser suprimido e demanda intervenção corretiva. Em psicanálise, sabemos que a civilização é mal-estar e a desarmonia está na base da relação do sujeito com a cultura. A família não está isenta desse choque com a linguagem.

Quando tentamos aplicar uma lógica "para todos" na família, corremos o risco de achatar o que há de mais singular na pessoa, convertendo o espaço familiar em um dispositivo de domesticação e docilização, além de tensionar o ser pai e ser mãe. A exigência de reconhecer a impotência perante aquilo que, inevitavelmente, falha, é o que possibilita a invenção da parentalidade, contando com o ato de assunção da posição de ser pai ou mãe.

O terceiro e a disjunção das fantasias

Os contornos da impossibilidade estrutural que circulam a família ganham traçados, inclusive muito vivos, quando sabemos da chegada de uma criança. É a travessia da conjugalidade para a parentalidade. A chegada de um filho instaura uma demanda inédita de partilha das histórias, dos afetos, operando uma verdadeira transformação na economia libidinal do casal, como escreve Christian Dunker em seu texto 'Economia libidinal da parentalidade'. O que antes eram dois, inevitavelmente, passa a abrigar um terceiro termo.

Esse advento, frequentemente, causa uma disjunção de fantasias, na qual o parceiro ou parceira, aquele que escolhi amorosamente, subitamente se transforma aos nossos olhos, assumindo os contornos e o peso da função de mãe ou de pai. Trata-se do real da família em questão, e não é incomum a busca por aparatos sociais que nos deem respostas, cuidados, afagos. Porém, todas essas respostas não apenas chovem no molhado, como tornam o lamaçal ainda mais intenso, turvo

A aposta clínica e aquilo que sobra da disjunção da fantasia

Na escuta analítica, apostamos no avesso das respostas prontas sobre o que é a família, o que é ser pai, ser mãe. Entre a família imaginada e a família real, há a família possível. Então, em psicanálise, trata-se, antes, de devolver cada família à sua radical singularidade. A chegada de um filho, apesar de desestabilizar as velhas estruturas e drenar os recursos da conjugalidade, carrega consigo a potência de reinventar a intimidade do laço a dois, abrindo a chance de o casal se apaixonar novamente um pelo outro a partir de novos lugares.

Lidar com o exercício da parentalidade é suportar que a criança imaginada, a família imaginada, nunca coincidirá com as respostas que estão à nossa disposição. Há algo do infamiliar aqui. Isso exige consentir com as próprias falhas e imperfeições, utilizando-as não como queixa, mas como motor para a invenção de novos e possíveis modos de fazer laço.

João Pedro Vilar Nowak de Lima

Clínica, Família, Parentalidade

4 de agosto de 2026 às 12:00:00

João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

Formação e Experiência Clínica

Anos de Experiência

11

1111

Atendimentos Clínicos Realizados

11

Pessoas Atendidas

  • Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

  • Participação em Palestras e Congressos

  • Percurso de formação pela
    Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)

  • Constante Implicação Clínica

  • Escuta Ética e Confidencial

  • Docência na Graduação e Pós-Graduação

Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2

Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

João Pedro Viar Nowak de Lima

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

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O investimento em uma sessão pode variar.

Entendo que cada pessoa tem circunstâncias financeiras únicas e, portanto, estou comprometido em ajustar os valores de forma transparente e aberta durante a consulta inicial, que tem custo a ser combinado no primeiro contato.

Em relação aos planos de saúde, não estou vinculado a nenhum.

É importante notar que cada plano tem suas regras em relação ao atendimento psicológico. Recomendo que você entre em contato com seu plano de saúde para entender melhor sua cobertura, pois ela pode custear atendimentos particulares.

De todo modo, estou disposto a fornecer qualquer documentação necessária para facilitar este processo, incluindo o recibo dos valores investido.

A frequência e o tempo das sessões podem variar.

O processo de um trabalho clínico requer um compromisso de tempo e esforço que perdura um tempo significativo. Durante o tratamento é comum que a frequência das sessões sejam mais próximas umas das outras, momentos que temos várias idas durante a semana. Também pode se desenhar a necessidade de uma frequência espaçada. Tais questões variam com o percurso do tratamento e com o estabelecimento da relação transferencial que é estruturado no "tempo lógico do inconsciente", assim como o tempo de cada atendimento.

Nesse sentido o tempo de um atendimento não tem uma duração fixa. Porém, peço para reservar em torno de 40-50 minutos, podendo durar mais ou menos, a depender da necessidade de trabalho.

Tudo que é falado na sessão permanece na sessão.

Todas as informações compartilhadas durante as sessões são mantidas em estrita confidencialidade e são protegidas por leis de privacidade. Isso inclui tanto as sessões presenciais quanto as online.

Exceções à confidencialidade incluem situações e convocações prescritas em lei. 

Existe uma política.

Entendo que imprevistos acontecem e que, às vezes, pode ser necessário cancelar ou reagendar uma sessão.

Solicito que, sempre que possível, avise com pelo menos uma semana de antecedência se precisar cancelar ou alterar a data/horário da sua sessão. Caso contrário a sessão será cobrada normalmente. Exceções são conversadas individualmente e concedidas de acordo com a necessidade — o bom senso é um guia importante aqui.


Esta política ajuda a garantir o melhor atendimento possível a todas as pessoas.

Principais Dúvidas

Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.

A psicanálise permite interrogar afetos e abrir novas possibilidades.

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Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida. 

Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos

Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.

Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

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