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Ressentimento e Psicanálise

Ressentir-se é atribuir ao outro a responsabilidade pelo que nos faz sofrer. Seu mecanismo é acionado quando contamos com um terceiro para poder dedicidir por nós, momento em que uma trama de culpa começa a ser feita. Maria Rita Kehl, no livro "Ressentimento", diz que o ressentido está impossibilitado de implicar-se como sujeito do desejo. Vamos explorar essa questão no texto abaixo.

O escudo do narcisismo e a posição de vítima

O ressentimento pode ser visto como uma constelação afetiva própria da atualidade. Sua manifestação se aloca entre as exigências e configuração imagínarias próprias do individualismo e os mecanismos de defesa do eu, que estão a serviço do narcisismo. Maria Rita Kehl, em seu livro "ressentimento", constrói a ideia de que o ressentido elabora sua narrativa com base em uma recusa contínua em se responsabilizar pela própria trajetória, algo que aparece em repetição

O sofrimento, para o ressentido, nunca é o efeito de um impasse ou de um encontro com o real, mas sim a prova incontestável de um prejuízo causado sempre pelo Outro. Ao encarnar a posição de vítima, de inocente, o ressentido delega a responsabilidade a um terceiro, elaborando um mecanismo inconsciente de defesa das frustrações e dos limites inerentes à vida

Essa forma de defesa é útil para que a árdua tarefa de inventar algo com as perdas e fracassos não venha à tona. Então, para o ressentido, o motivo pelo qual não se pode realizar algo, como uma viagem, um curso, uma aquisição, é sempre o outro. Veste-se uma máscara de autopiedade e benfeitoria, onde o sujeito se sacrificou pelo outro. Configura-se aqui uma fantasia de que estamos nos sacrificando em prol do outro. Isso permite ao sujeito ficar em posição de adiamento perpétuo com aquilo que deseja, o que lhe permite gozar da sua própria passividade diante dos impasses da vida.

A covardia moral e a fuga do desejo

A complicação do ressentido começa quando ele, o sujeito que se coloca em posição de sacríficio pelo Outro, vem à tona para cobrar aquilo que o Outro 'lhe deve'. Cria-se uma seriação com base nessa dívida que o Outro tem conosco, com base nisso que o Outro me deve. A elocubração sobre o fato ganha proporção de tal modo que os acontecimentos da vida começam a girar em torno daquilo que o Outro deixou de fazer por mim com base naquilo que eu fiz (sacrifiquei) por ele. Assim, as realizações para o ressentido não acontecem por culpa de um terceiro, que aparece para justificar seus fracassos,  suas perdas...

Apoiar-se no ressentimento exige uma boa dose de "covardia moral", termo muito bem trabalhado por Lacan, no seminário 7 - A ética da psicanálise. O sujeito ressentido recua diante do desafio de se implicar com as próprias escolhas (e também as 'não escolhas' rsrs), preferindo instalar-se em uma posição de credor universal. Essa acomodação impede o movimento criativo, deslocando a vitalidade necessária para  olhar o mundo por outras perspectivas.

À luz da filosofia de Nietzche e Espinosa, podemos reconhecer esse estado como uma "paixão triste", um envenenamento da alma. Isso porque aquele que sofre não se revolta para transformar a realidade; ao contrário, adoece na repetição de antigas mágoas, extraindo um ganho secundário desse apego. Em termos lacanianos, podemos dizer que há um sintoma de recusa da castração, junto a uma insistência de que o Outro possui, e deve, o objeto que completaria o sujeito. 


Deslocar a queixa e interrogar a repetição

O desafio ético do analista diante do ressentimento é não referendar a fantasia da vitimização. Nesse sentido, não se trata de consolar o sujeito ou alimentar sua queixa contra aquele que ele acusa, mas interrogar a engrenagem que o mantém refém das suas vãs repetições. É preciso escandir a queixa ressentida e convocar o sujeito a reconhecer-se nas tramas que ele mesmo ajudou a tecer.

Ao abrir mão das amarras imaginárias e do apego ao passado, o sujeito pode finalmente dar um salto no escuro. Trata-se de inventar novas amarrações com a própria história, possibilitando assim a criação de um novo laço social, onde a lida com a falta não se traduza em queixa, mas em ato e criação.

Clínica, Psicanálise, Sintoma, Sofrimento

3 de agosto de 2026 às 16:00:00

João Pedro Vilar Nowak de Lima

João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

Formação e Experiência Clínica

Anos de Experiência

11

1111

Atendimentos Clínicos Realizados

11

Pessoas Atendidas

  • Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

  • Participação em Palestras e Congressos

  • Percurso de formação pela
    Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)

  • Constante Implicação Clínica

  • Escuta Ética e Confidencial

  • Docência na Graduação e Pós-Graduação

Registro Ativo no Conselho de Psicologia CRP/14:08217-2

Muitas vezes tomamos como verdadeiros sentimentos que foram criados em momentos muito particular da nossa vida.
Esses afetos ganham forma ao longo do tempo e passam a orientar nossos caminhos — e também nossos impasses.
Tenho a intenção de demonstrar que aquilo que tomamos como evidente, verdadeiro, são sentidos que podem ser analisados, criticados e reformulados.

João Pedro Viar Nowak de Lima

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

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O investimento em uma sessão pode variar.

Entendo que cada pessoa tem circunstâncias financeiras únicas e, portanto, estou comprometido em ajustar os valores de forma transparente e aberta durante a consulta inicial, que tem custo a ser combinado no primeiro contato.

Em relação aos planos de saúde, não estou vinculado a nenhum.

É importante notar que cada plano tem suas regras em relação ao atendimento psicológico. Recomendo que você entre em contato com seu plano de saúde para entender melhor sua cobertura, pois ela pode custear atendimentos particulares.

De todo modo, estou disposto a fornecer qualquer documentação necessária para facilitar este processo, incluindo o recibo dos valores investido.

A frequência e o tempo das sessões podem variar.

O processo de um trabalho clínico requer um compromisso de tempo e esforço que perdura um tempo significativo. Durante o tratamento é comum que a frequência das sessões sejam mais próximas umas das outras, momentos que temos várias idas durante a semana. Também pode se desenhar a necessidade de uma frequência espaçada. Tais questões variam com o percurso do tratamento e com o estabelecimento da relação transferencial que é estruturado no "tempo lógico do inconsciente", assim como o tempo de cada atendimento.

Nesse sentido o tempo de um atendimento não tem uma duração fixa. Porém, peço para reservar em torno de 40-50 minutos, podendo durar mais ou menos, a depender da necessidade de trabalho.

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Esta política ajuda a garantir o melhor atendimento possível a todas as pessoas.

Principais Dúvidas

Nem sempre aquilo que sentimos é tão evidente quanto parece.

A psicanálise permite interrogar afetos e abrir novas possibilidades.

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Eu acredito que, com frequência, tomamos por verdadeiro, por evidentes, afetos e emoções que foram criados em um momento muito particular da nossa vida. 

Esses sentimentos vão ganhando contornos, vão sendo tecidos no nosso imaginário de maneira muito singular e, com isso, criam-se caminhos e descaminhos

Penso que a experiência da vida nos leva questionar muito daquilo que tínhamos como natural e normal.

Tenho a intenção de demonstrar que aqueles afetos que tomamos por evidentes, por verdadeiros, podem ser analisados, criticados e reformulados

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João Pedro Nowak - Psicólogo e Psicanalista

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